domingo, 19 de novembro de 2017

TOP 10: MARTIN SCORSESE


Martin Scorsese é um diretor, produtor de cinema e roteirista americano, conhecido pela agressividade de seus filmes e por retratar com maestria o mundo do crime. Seus filmes são aclamados pela crítica e pelo público em geral, o que lhe rendeu diversos prêmios e ajudou a marcar seu nome na história do cinema.
Essa semana, nós do Viagens Literárias resolvemos prestar uma homenagem a um dos maiores diretores de todos os tempos e deixar de recomendação alguns de seus melhores filmes nesse Top 10:


10 – Ilha do Medo (2010): Começando com um thriller psicológico. Ilha do Medo conta a história de uma dupla de detetives que foi chamada para investigar o desaparecimento de uma paciente em um sanatório localizado no meio de uma ilha remota. O filme foi a quarta colaboração de Scorsese com o ator Leonardo DiCaprio e demonstrou mais da grande versatilidade do diretor.



9 – Cabo do Medo (1991): Se trata do remake de Círculo do Medo, filme de 1962 com Robert Mitchum, dessa vez estrelando Robert De Niro, e conta a história de uma família atormentada por um ex-detento chamado Max Caddy (De Niro), que pôs a culpa de sua prisão no advogado de defesa, que no caso era o pai da família em questão.
Trilha sonora magistral, excelente fotografia e uma grande performance de Robert De Niro. Cabo do Medo se mostra um dos poucos remakes que superam o original.



8 – O Aviador (2004): Cinebiografia do produtor de cinema, aviador, milionário e bon vivant Howard Hughes, em seu ápice e sua decadência. Foi a segunda parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio, que representou muito bem todas as excentricidades do personagem. Sua atuação, junto com os ângulos dramáticos utilizados por Scorsese foram os pontos mais altos do filme, destaque para Cate Blanchett, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação de Katherine Hepburn nesse filme.



7 – Gangues de Nova York (2002): Martin Scorsese em filme histórico. A trama nos leva a uma Nova York do século XIX e nos conta a história de Amsterdam Vallon, um jovem irlandês que na infância teve seu pai assassinado pelo líder de uma das gangues que controlam a região dos cinco pontos, agora adulto, o rapaz volta para se vingar.
Apesar de alguns problemas de ritmo, o filme é uma excelente retratação histórica de Nova York (cidade que Scorsese ama), tanto no quesito social quanto na caracterização dos personagens e da cidade como um todo. Além disso, o filme conta com uma performance hipnotizante (como sempre) de Daniel Day Lewis como Bill “The Butcher” Cutting.



6 – O Lobo de Wall Street (2013): Mais uma biografia com Leonardo DiCaprio, porque não? É a história real de Jordan Belfort, um jovem que fez sua fortuna dando golpes na bolsa de valores de Wall Street e teve um estilo de vida regado a luxo, drogas e sexo.
Teve uma excelente recepção de público e crítica, o que lhe rendeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante para Jonah Hill.



5 – Touro Indomável (1980): Uma retratação realista da família ítalo-americana, o filme nos apresenta Jake Lamotta, um lutador de boxe mega violento e autodestrutivo, suas vitórias, paixões e sua decadência.
O filme em preto e branco de Scorsese conta com grandes atuações e performances físicas de Robert De Niro, o que lhe rendeu um merecido Oscar de Melhor Ator em 1981.



4 – Cassino (1995): História real de Frank Rosenthal, que no filme teve seu nome mudado para Sam Rothstein, um bookmaker (agente de apostas) judeu que foi designado pela máfia italiana como o responsável por um cassino em Las Vegas.
Apesar do filme ser longo, ele não é nem um pouco cansativo, isso se dá devido as grandes atuações de De Niro, Joe Pesci e até mesmo de Sharon Stone. Excelente figurino e trilha sonora espetacular, destaque para a música The House of the Rising Sun do The Animals, que toca em um momento bem chocante. Cassino é mais uma das muitas visões de Martin Scorsese sobre a máfia e nos mostra um lado ainda mais sombrio e violento de Las Vegas.



3 – Taxi Driver (1976): O filme que fez o mundo prestar atenção em Martin Scorsese. Conta a história de Travis Bickle, um veterano do Vietnã que arranja um emprego noturno como motorista de táxi por estar sofrendo de insônia, mas ao ver a sujeira presente nas ruas de Nova York, resolve fazer algo a respeito.
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme estrelado brilhantemente por Robert De Niro ainda nos apresentou uma estreante Jodie Foster e é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, com sua retratação suja e depressiva de Nova York.



2 – Os Infiltrados (2006): Particularmente, meu favorito. Nesse suspense policial, Scorsese nos mostra um jogo de gato e rato que se inicia quando a polícia infiltra Billy Costigan na máfia irlandesa de Boston e ao mesmo tempo a máfia infiltra Colin Sullivan na polícia.
Enquanto Billy tenta reunir evidências suficientes para prender o chefão local Frank Costello, Colin tenta frustrar os planos de prisão. A tensão vai aumentando quando os infiltrados tentam descobrir a identidade um do outro.
Com um grande elenco composto por estrelas como Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Martin Sheen, Alec Baldwin e Mark Whalberg (em sua melhor atuação), o filme de Martin Scorsese abocanhou quatro Oscars. Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor (finalmente) e Melhor Filme. E diga-se de passagem, o final do filme é de explodir a cabeça.



1 – Os Bons Companheiros (1990): Alcançou a nossa primeira colocação pelo seu esmero técnico. A trama gira em torno de Henry Hill, um associado da máfia que desde a infância sonhava em ser um gangster, e sua ascensão e queda no mundo do crime. Scorsese mais uma vez nos mostra sua agressividade e violência, bem como a construção de seus personagens associada à sua direção.
O filme se passa em três décadas, e conforme o tempo vai passando, a trilha sonora se adequa à época retratada, bem como a caracterização e fisionomia dos atores. Rendeu um Oscar muito merecido de Melhor Ator Coadjuvante para Joe Pesci no seu memorável papel de Tommy DeVito.
Os Bons companheiros nos mostra porquê filmes de máfia são a especialidade de Martin Scorsese.

Esperamos que gostem das recomendações e busquem saber mais sobre a filmografia desse diretor maravilhoso!



Por: Rennan Gardini

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O MATADOR - CRÍTICA


Estamos vivendo a revolução do streaming. A Netflix (maravilhosa) tomou o mundo de assalto não apenas por conter um ótimo catálogo de filmes e séries, mas também por demonstrar excelência em suas produções originais.
O Matador é um bom filme, me arrisco a dizer que muito bom, tenho ressalvas à fazer sobre ele, mas o filme em si vale o tempo e diverte bastante. Então, se quiser assistir e depois voltar para ler a crítica, ótimo. Mas se quiser continuar para ter mais motivos para ver a produção, também é muito bem-vindo.

O filme é a primeira produção original brasileira da Netflix e se trata de um faroeste ambientado no sertão brasileiro, mais precisamente na Pernambuco do século XX, e conta a história de Cabeleira, um homem que foi criado por um ex-cangaceiro e após anos do sumiço de sua figura paterna, sai em sua busca e acaba encontrando uma cidade dominada por um magnata Francês, que acaba contratando Cabeleira como pistoleiro, isso faz com que o mesmo se torne um dos maiores matadores da região.


O longa é dirigido por Marcelo Galvão, que cumpre seu papel de forma competente. Sua direção tem bons enquadramentos, utilizando planos muito abertos para mostrar a vastidão e aridez do local onde a trama se passa. Outro fato que ajuda nisso é a fotografia, que é um dos pontos mais curiosos do filme. As cores utilizadas conseguem passar bem o calor do interior de Pernambuco e o diretos utiliza disso para criar planos belíssimos em algumas cenas, porém, em outras cenas vemos uma inconsistência na direção, mostrando enquadramentos pobres, que saltam muito aos olhos e deixam o filme com um aspecto menos cinematográfico e mais “novela de época”.

O roteiro também apresenta seus altos e baixos. No geral ele é bem fluido e dinâmico, porém, o foco cai em várias histórias distintas e nos apresenta vários personagens interessantes e marcante, que no fim não duram muito tempo em tela e acabam tendo seus arcos encerrados de forma brusca. Isso acaba reduzindo um pouco o ritmo do longa e tirando um pouco a atenção da trama principal, que é a história de Cabeleira. Apesar de tudo isso, estas tramas servem para amarrar o final, que é muito bom, mesmo sendo um pouco cliché e até previsível, o roteiro cumpre seu papel de construir uma visão palpável do sertão brasileiro, isso é de longe a maior qualidade do filme. Fugir da visão caricata do nordeste que muitas obras retratam e construir um ambiente crível tanto para os brasileiros quanto para um faroeste.


Quanto aos atores, no elenco temos nomes como Etienne Chicot (O Código da Vinci) e Maria de Medeiros (Pulp Fiction), porém o destaque fica para o próprio protagonista, Diogo Morgado, que consegue balancear a inocência e a violência em Cabeleira e transmitir o sentimento do personagem em poucas palavras.

O Matador é um bom faroeste, consegue divertir e prender o público em uma boa história. Tem personagens interessantes e a dose certa de drama e ação. Apesar das ressalvas, o filme é um excelente início para as produções brasileiras ganharem seu espaço nos serviços de streaming.


80%


Por: Rennan Gardini

terça-feira, 31 de outubro de 2017

RESENHA DA LEITURA

A (R)evolução das Mulheres

Autora: Mindy McGinnis

Editora: Plataforma 21

Páginas: 344

Ano: 2017

Nota: 4.5/5

Sinopse: Três anos se passaram depois do assassinato da irmã mais velha de Alex Craft. Mas, como é de costume, a culpa sempre recai sobre a vítima e o assassino segue em liberdade.

Alex é uma menina forte e quer vingar sua irmã, por isso decide atacar qualquer predador sexual que cruzar seu caminho. Ela resolve colocar a boca no mundo, usando a linguagem que melhor domina, a linguagem da violência; além de responder ao seu instinto feminino: o de proteger o próprio útero.

Mas o que aconteceu na noite do assassinato chama a atenção de Jack Fisher, o cara invejado por todos: atleta perfeito, que desfila de braço dado com a garota mais cobiçada. Ele deseja conhecer Alex profundamente. E, numa cidade pequena, onde todo mundo se conhece, esse repentino interesse vai desencadear uma série de crimes bárbaros.



Olá leitores lindos, quanto tempo, né? Desculpem-me pelo meu sumiço, para quem não sabe eu abri uma Locadora de livros e por isso fiquei sem tempo de postar, mas esse assunto ficará para outro post. Bom, como a Livraria Leitura é parceira aqui no blog, eu ganhei deles um livro que queria há um tempo, que é o A (R)evolução das Mulheres, da autora Mindy McGinnis que também já escreveu o livro Uma Loucura Discreta, lançado também pela Plataforma 21 e que também está na minha lista de desejos. Então vamos à resenha.

A (R)evolução das mulheres conta a história da Alex Craft, uma garota que perdeu sua irmã ainda muito jovem, o pai a abandonou e sua mãe virou alcoólatra, por aí você já pode ver que a vida da personagem não foi fácil e devido isso ela acabou se isolando e tendo só a si mesma como amiga e a busca de uma vingança para ocupar a sua mente. Sua irmã foi abusada por um homem e brutalmente assassinada, foi encontrada com o corpo já em decomposição e obviamente o homem, no caso, esse mostro, saiu impune e intocado do tribunal. Claro que Alex acha isso uma injustiça inadmissível e logo no começo do livro vemos o quanto ela é forte e observadora, nada passa despercebido por ela, até o mais simples gesto ou respiração. Após a morte da irmã, Alex treinou o seu corpo para ser perigoso e fatal em certas situações, para achar quem arruinou a vida de sua irmã e devolver a dor que ele deu à família Craft.


No seu último ano na escola ela fica mais sociável e algumas pessoas começam a se aproximar dela, mas ainda a veem como “a irmã da menina que morreu”. Alex descobre alguns verdadeiros amigos nesse período, como Claire. Ela acaba se aproximando de Jack Fish o garoto mais requisitado que demostra interesse em Alex e quer conhece-la cada vez mais, só que após a sua vingança, algo dentro de Alex foi solto e crimes brutais começam a acontecer na cidade.

Mas na minha leitura o foco não ficou na formação da amizade dela, isso é importante sim para o desenrolar da história toda, mas as partes que mais me chamaram a atenção foram os abusos e padrões que as mulheres são colocadas no livro, e não apenas no livro, como na vida real. O quanto isso pode arruinar a vida de uma pessoa, como isso pode traumatiza-la e até levar a morte. O livro fala de coisas bem atuais como estupros, abusos e machismo, como a mulher não é levada a sério em diversas circunstâncias apenas por ser mulher. A Alex mostra isso no livro, como estar numa situação dessas e não se sentir intimidada, como não temos que nos calar diante de uma situação ruim e sempre apoiar umas às outras.


No decorrer da leitura você fica incrédulo em diversos trechos, como que no século XXI isso ainda ocorre, como o desrespeito é tão evidente na sociedade e pior, as pessoas são ensinadas assim. No livro podemos ver que todos são muito jovens para agirem desse jeito, e infelizmente isso não fica apenas nas páginas dos livros.

O livro é narrado de três pontos de vista diferentes Alex, Claire e Jack, isso dá uma dimensão maior do que eles estão vivendo e sentindo em cada momento do livro. É incrível como a autora construiu o livro, houve canas que me deixaram enojada de tão real que parecia ser. A leitura é bem rápida, a cada página eu queria saber mais de Alex e pelo o que ela já passou para ficar assim. É uma leitura densa e que faz com que o leitor pense nos seus atos e como isso pode impactar na vida das outras pessoas.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

BLADE RUNNER 2049 É UM SHOW EMOCIONAL, FILOSÓFICO E VISUAL - CONFIRA NOSSA REVIEW


Como se mexe em um clássico?
Blade Runner (1982) é uma obra de ficção científica baseada no livro “Androides sonham com ovelhas elétricas?” de Philip K. Dick e é lembrada com carinho por muitos fãs da sétima arte. Se tornou um cult e é considerado um dos melhores filmes do gênero. Como mexer em uma obra tão querida pelos amantes de ficção científica e cinema em geral?
Denis Villeneuve nos mostrou como!
Blade Runner 2049 é um ESPETÁCULO. A continuação desta tão aclamada obra consegue nos entregar tudo o que se podia esperar e até mais.

O filme se passa 30 anos após o fim do primeiro e relata a falência da Tyrell Corporation, que teve seus espólios adquiridos por Niander Wallace (Jared Leto). A trama acompanha o policial K (Ryan Gosling), um Blade Runner que após aposentar um modelo de Replicante Nexus 8, acaba com um mistério muito grande em mãos. Forçado por sua chefe (Robin Wright) a prosseguir no caso, K acaba tendo que buscar ajuda ao Blade Runner aposentado, Rick Deckard (Harrison Ford).


Um dos grandes méritos da fita, é não precisar usar os personagens do filme original de muleta. Ryan Gosling repete um pouco da atuação que utilizou em Drive (2011) e demonstra um K solitário, que vive sua vida em função do trabalho e do pequeno mundo que é seu apartamento. Gosling tem uma interpretação bem comedida, sem precisar de mais do que um olhar para nos fazer entender o que seu personagem está sentindo. Já Harrison Ford, em uma de suas melhores atuações, nos mostra como o tempo e os acontecimentos do passado afetaram Deckard e ajudaram a construir uma paranoia e até mesmo uma certa hostilidade em sua personalidade. Todos os atores secundários também conseguem ser muito convincentes, principalmente Jared Leto, que apesar de ter poucas cenas nos faz acreditar em Wallace como vilão e temer sua visão do futuro.


Denis Villeneuve se mostrou muito competente em revisitar este universo. Ele não precisou utilizar de muitos elementos do filme antigo para recriar a atmosfera pesada. Os avanços que essa sociedade futurista recebeu em trinta anos nos são mostrados sem grandes pretensões, e todos eles são imagináveis dentro daquele universo.
O sentimento de solidão e reflexão é bem acentuado pela excelente direção de Villeneuve, bem como pelo impecável visual da película. A câmera varia entre a aberta e a fechada, para demonstrar o mundo devastado e as emoções dos personagens. A fotografia passeia entre a luz e a escuridão, demonstrando a cidade no escuro, iluminada apenas pela tecnologia que a cerca. Em alguns momentos, a fotografia vai para uma sépia agressiva, para reforçar a aridez do lugar que o personagem se encontra. O filme é muito bonito de se ver, o uso das cores foi bem encaixado na trama.


É impossível não mencionar a trilha sonora de Hans Zimmer, que remete muito à trilha original de Vangelis. A trilha é quase um ruído eletrônico, que muda de intensidade e notas conforme as cenas variam. Ficando mais suave em momentos tristes, nos dando uma sensação de solidão e ficando mais pesada em cenas em que a tensão e a ação estão presentes, que aliás, estão muito bem feitas, apesar de não serem o maior atrativo do filme.
Blade Runner 2049 é uma continuação muito honesta e serve como uma expansão para o universo do filme original e da obra literária que nos conta uma história voltada para o existencialismo. Porém, a fita exige que o espectador seja ativo, ou seja, que mergulhe na trama e desvende os mistérios em tela junto com K. Se você quer ir ao cinema só para receber o que está em tela e se divertir, melhor ir ver outro filme.
Com ótimas atuações, um roteiro fortíssimo, excelente fotografia, uma trilha sonora profunda e um final muito poderoso, o filme nos mostra que basta um ótimo diretor como Denis Villeneuve para compreender e revisitar um universo tão aclamado de forma que agrade a todos. Um dos melhores filmes do ano, com certeza!

97%


Por: Rennan Gardini

domingo, 1 de outubro de 2017

RESENHA: MENINA VENENO

Menina Veneno

Autora: Carina Rissi

Editora: Record

Páginas: 192

Ano: 2017

Nota: 3.5/5

Sinopse: Contada sob a perspectiva ferina e cheia de humor ácido de Malvina, a madrasta, essa história vai te surpreender. Da mesma autora da série best-seller Perdida. Você conhece a história de uma certa princesa que sofreu inúmeras tentativas de assassinato por sua madrasta, uma delas com uma maçã envenenada. O bem contra o mal, a indefesa donzela ameaçada pela perversa Rainha... É bonito, não é mesmo? Francamente, me embrulha o estômago só de falar dessa história da carochinha. Eu não sou uma bruxa, não sou má e eu nunca planejei matar ninguém. Por anos, fui a maior modelo do planeta, o nome mais poderoso do mundo da moda... Até o dia em que a insossa da minha enteada, Bianca, roubou a minha maior campanha. Dá pra acreditar? Bianca é tão sonsa... e tem esse arzinho azedo e avoado que me dá vontade de voar no pescoço dela... Eu sei, parece mesmo que eu fiz tudo o que a imprensa me acusa de ter feito. Mas não foi bem assim. Senta aqui e me ouça até o fim. Depois me diga se acha mesmo que mereço o título de Rainha Má... Talvez só Rainha seja muito melhor.


Olá leitores, tudo bem, como andam as leituras? Desculpem-me por andar sumida, devido a minha viagem à bienal, minha rotina ficou louca quando voltei. Mas agora estou de volta e com muitas novidades. Hoje tem resenha de um lançamento da nossa querida Carina Rissi, Menina Veneno. Eu gosto muito dessa autora, além dela ser nacional, ela também escreve um dos poucos romances que eu gostei na minha vida, o livro Perdida. Menina Veneno foi lançado na Bienal do Livro e é uma releitura do clássico A Branca de Neve e os Sete Anões, mas na atualidade e muito mais irônico e legal.

O livro conta a história da Malvina Neves, uma modelo superrequisitada e reconhecida pelo mundo inteiro pelo seu trabalho. Malvina é uma das modelos mais poderosa do planeta, todos querem ser que nem ela. Ela estourou como modelo na campanha de Menina Veneno. Tudo andava perfeito até que a enteada de Malvina rouba a melhor campanha dela, a que fez Malvina ser reconhecida, Bianca é a nova Menina Veneno.

Malvina, como a Rainha Má em A Branca de Neve, fica indignada e obviamente quer a campanha de volta. Além de Bianca ter aceitado a campanha, ela ainda se mostra interessada em um músico que Malvina está investindo. Malvina fará de tudo para que sua vida volte como era antes, sendo a mais idolatrada e a mais bela de todas. E é com isso que o enredo se constrói, Malvina tentando tomar o seu posto de Bianca.

Durante o livro vemos como Malvina se tornou essa pessoa superficial, mas não de todo mal. Confesso que no início da leitura eu não estava suportando a modelo, pois ela se mostrava muito prepotente e cheia de si, mas durante a história eu fui me apenando mais e vendo que ela não estava totalmente errada, mas tomou escolhas erradas. Vemos em Malvina que ninguém começa grande, ela começou de baixo e conquistou seu “reinado” com muito trabalho e esforço.

Eu achei a Malvina bem parecida com a personagem Miranda Priestly (Meryl Streep), do filme O Diabo Veste Prada, onde todos acatavam sua decisão e a viam como a melhor. Já em relação a Bianca eu senti ela totalmente coadjuvante, pois a Malvina além de ser a protagonista é narradora do livro, logo ela se tornou mais marcante. Uma observação sobre a narrativa, é como se a Malvina estivesse conversando com o leitor, como se fôssemos colegas, gostei bastante disso, a autora soube fazer sua personagem ficar mais próxima do leitor.

O livro é bem curto, eu li em apenas um dia, pois a história se desenrola facilmente e é muito leve, facilitando a leitura. Gostei também das imagens que o livro traz, no início de cada capítulo tem alguns recortes de manchetes sobre os personagens envolvidos na história. Semana passada a autora esteve aqui em Manaus, onde pude perguntar mais sobre esse livro e a Carina respondeu que esse é o primeiro livro de releitura na visão do vilão e ainda vem mais 2 por aí. Então se você gostou da Malvina vai amar os próximos.