terça-feira, 10 de outubro de 2017

BLADE RUNNER 2049 É UM SHOW EMOCIONAL, FILOSÓFICO E VISUAL - CONFIRA NOSSA REVIEW


Como se mexe em um clássico?
Blade Runner (1982) é uma obra de ficção científica baseada no livro “Androides sonham com ovelhas elétricas?” de Philip K. Dick e é lembrada com carinho por muitos fãs da sétima arte. Se tornou um cult e é considerado um dos melhores filmes do gênero. Como mexer em uma obra tão querida pelos amantes de ficção científica e cinema em geral?
Denis Villeneuve nos mostrou como!
Blade Runner 2049 é um ESPETÁCULO. A continuação desta tão aclamada obra consegue nos entregar tudo o que se podia esperar e até mais.

O filme se passa 30 anos após o fim do primeiro e relata a falência da Tyrell Corporation, que teve seus espólios adquiridos por Niander Wallace (Jared Leto). A trama acompanha o policial K (Ryan Gosling), um Blade Runner que após aposentar um modelo de Replicante Nexus 8, acaba com um mistério muito grande em mãos. Forçado por sua chefe (Robin Wright) a prosseguir no caso, K acaba tendo que buscar ajuda ao Blade Runner aposentado, Rick Deckard (Harrison Ford).


Um dos grandes méritos da fita, é não precisar usar os personagens do filme original de muleta. Ryan Gosling repete um pouco da atuação que utilizou em Drive (2011) e demonstra um K solitário, que vive sua vida em função do trabalho e do pequeno mundo que é seu apartamento. Gosling tem uma interpretação bem comedida, sem precisar de mais do que um olhar para nos fazer entender o que seu personagem está sentindo. Já Harrison Ford, em uma de suas melhores atuações, nos mostra como o tempo e os acontecimentos do passado afetaram Deckard e ajudaram a construir uma paranoia e até mesmo uma certa hostilidade em sua personalidade. Todos os atores secundários também conseguem ser muito convincentes, principalmente Jared Leto, que apesar de ter poucas cenas nos faz acreditar em Wallace como vilão e temer sua visão do futuro.


Denis Villeneuve se mostrou muito competente em revisitar este universo. Ele não precisou utilizar de muitos elementos do filme antigo para recriar a atmosfera pesada. Os avanços que essa sociedade futurista recebeu em trinta anos nos são mostrados sem grandes pretensões, e todos eles são imagináveis dentro daquele universo.
O sentimento de solidão e reflexão é bem acentuado pela excelente direção de Villeneuve, bem como pelo impecável visual da película. A câmera varia entre a aberta e a fechada, para demonstrar o mundo devastado e as emoções dos personagens. A fotografia passeia entre a luz e a escuridão, demonstrando a cidade no escuro, iluminada apenas pela tecnologia que a cerca. Em alguns momentos, a fotografia vai para uma sépia agressiva, para reforçar a aridez do lugar que o personagem se encontra. O filme é muito bonito de se ver, o uso das cores foi bem encaixado na trama.


É impossível não mencionar a trilha sonora de Hans Zimmer, que remete muito à trilha original de Vangelis. A trilha é quase um ruído eletrônico, que muda de intensidade e notas conforme as cenas variam. Ficando mais suave em momentos tristes, nos dando uma sensação de solidão e ficando mais pesada em cenas em que a tensão e a ação estão presentes, que aliás, estão muito bem feitas, apesar de não serem o maior atrativo do filme.
Blade Runner 2049 é uma continuação muito honesta e serve como uma expansão para o universo do filme original e da obra literária que nos conta uma história voltada para o existencialismo. Porém, a fita exige que o espectador seja ativo, ou seja, que mergulhe na trama e desvende os mistérios em tela junto com K. Se você quer ir ao cinema só para receber o que está em tela e se divertir, melhor ir ver outro filme.
Com ótimas atuações, um roteiro fortíssimo, excelente fotografia, uma trilha sonora profunda e um final muito poderoso, o filme nos mostra que basta um ótimo diretor como Denis Villeneuve para compreender e revisitar um universo tão aclamado de forma que agrade a todos. Um dos melhores filmes do ano, com certeza!

97%


Por: Rennan Gardini

domingo, 1 de outubro de 2017

RESENHA: MENINA VENENO

Menina Veneno

Autora: Carina Rissi

Editora: Record

Páginas: 192

Ano: 2017

Nota: 3.5/5

Sinopse: Contada sob a perspectiva ferina e cheia de humor ácido de Malvina, a madrasta, essa história vai te surpreender. Da mesma autora da série best-seller Perdida. Você conhece a história de uma certa princesa que sofreu inúmeras tentativas de assassinato por sua madrasta, uma delas com uma maçã envenenada. O bem contra o mal, a indefesa donzela ameaçada pela perversa Rainha... É bonito, não é mesmo? Francamente, me embrulha o estômago só de falar dessa história da carochinha. Eu não sou uma bruxa, não sou má e eu nunca planejei matar ninguém. Por anos, fui a maior modelo do planeta, o nome mais poderoso do mundo da moda... Até o dia em que a insossa da minha enteada, Bianca, roubou a minha maior campanha. Dá pra acreditar? Bianca é tão sonsa... e tem esse arzinho azedo e avoado que me dá vontade de voar no pescoço dela... Eu sei, parece mesmo que eu fiz tudo o que a imprensa me acusa de ter feito. Mas não foi bem assim. Senta aqui e me ouça até o fim. Depois me diga se acha mesmo que mereço o título de Rainha Má... Talvez só Rainha seja muito melhor.


Olá leitores, tudo bem, como andam as leituras? Desculpem-me por andar sumida, devido a minha viagem à bienal, minha rotina ficou louca quando voltei. Mas agora estou de volta e com muitas novidades. Hoje tem resenha de um lançamento da nossa querida Carina Rissi, Menina Veneno. Eu gosto muito dessa autora, além dela ser nacional, ela também escreve um dos poucos romances que eu gostei na minha vida, o livro Perdida. Menina Veneno foi lançado na Bienal do Livro e é uma releitura do clássico A Branca de Neve e os Sete Anões, mas na atualidade e muito mais irônico e legal.

O livro conta a história da Malvina Neves, uma modelo superrequisitada e reconhecida pelo mundo inteiro pelo seu trabalho. Malvina é uma das modelos mais poderosa do planeta, todos querem ser que nem ela. Ela estourou como modelo na campanha de Menina Veneno. Tudo andava perfeito até que a enteada de Malvina rouba a melhor campanha dela, a que fez Malvina ser reconhecida, Bianca é a nova Menina Veneno.

Malvina, como a Rainha Má em A Branca de Neve, fica indignada e obviamente quer a campanha de volta. Além de Bianca ter aceitado a campanha, ela ainda se mostra interessada em um músico que Malvina está investindo. Malvina fará de tudo para que sua vida volte como era antes, sendo a mais idolatrada e a mais bela de todas. E é com isso que o enredo se constrói, Malvina tentando tomar o seu posto de Bianca.

Durante o livro vemos como Malvina se tornou essa pessoa superficial, mas não de todo mal. Confesso que no início da leitura eu não estava suportando a modelo, pois ela se mostrava muito prepotente e cheia de si, mas durante a história eu fui me apenando mais e vendo que ela não estava totalmente errada, mas tomou escolhas erradas. Vemos em Malvina que ninguém começa grande, ela começou de baixo e conquistou seu “reinado” com muito trabalho e esforço.

Eu achei a Malvina bem parecida com a personagem Miranda Priestly (Meryl Streep), do filme O Diabo Veste Prada, onde todos acatavam sua decisão e a viam como a melhor. Já em relação a Bianca eu senti ela totalmente coadjuvante, pois a Malvina além de ser a protagonista é narradora do livro, logo ela se tornou mais marcante. Uma observação sobre a narrativa, é como se a Malvina estivesse conversando com o leitor, como se fôssemos colegas, gostei bastante disso, a autora soube fazer sua personagem ficar mais próxima do leitor.

O livro é bem curto, eu li em apenas um dia, pois a história se desenrola facilmente e é muito leve, facilitando a leitura. Gostei também das imagens que o livro traz, no início de cada capítulo tem alguns recortes de manchetes sobre os personagens envolvidos na história. Semana passada a autora esteve aqui em Manaus, onde pude perguntar mais sobre esse livro e a Carina respondeu que esse é o primeiro livro de releitura na visão do vilão e ainda vem mais 2 por aí. Então se você gostou da Malvina vai amar os próximos.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

REVIEW: IT - A COISA


Adaptar uma obra aclamada é uma tarefa complicada. Uma adaptação, para ser considerada boa, deve manter a essência do material-fonte e construir uma identidade que converse bem com os fãs da obra original e com o público que não é familiarizado com esta obra.
“It: A Coisa” cumpre todos os seus papéis.
O filme se trata de uma readaptação de uma das obras mais aclamadas do escritor americano Stephen King, que já havia se tornado uma minissérie para a televisão em 1990 sob o título de “It – Uma Obra Prima do Medo”. Posto tudo isso, o novo filme tinha não só a tarefa de adaptar o livro, como também a tarefa de se igualar a seu antecessor. E acabou até mesmo o superando.



A trama nos apresenta a pequena cidade de Derry, localizada no estado americano do Maine, onde várias crianças vem desaparecendo, incluindo o pequeno Georgie Denbrough, irmão de um dos protagonistas. O autor das abduções é Pennywise, O Palhaço Dançarino, uma entidade que se alimenta dos medos das pessoas.

Todo o elenco está muito bem. Bill Skarsgard nos entrega um excelente Pennywise, com a construção voltada para o deixar assustador e carismático na medida certa. Em todas as suas cenas, Skarsgard domina a tela, proporcionando cenas pesadas, viscerais e realmente apavorantes.



Porém, o verdadeiro foco do longa está nas crianças! O Clube dos Perdedores, composto por Bill, Eddie, Ben, Mike, Beverly, Stanley e Richie. A química entre as crianças é absurda e todos cumprem bem seus papéis, dando um ar mais “aventuresco” para o filme. Entretanto, os destaques são Beverly Marsh (Sophia Lillis), que é a responsável por segurar as maiores cargas dramáticas do filme, e Richie Tozier (Finn Wolfhard), que rouba a cena como alivio cômico e se demonstra muito versátil ao alternar entre cenas leves e pesadas.



Aliás, dizer que “It: A Coisa” é apenas um filme de terror seria errado. Na verdade, o foco do filme acaba nem sendo o próprio Pennywise, e sim a construção dos medos e personalidades das sete crianças, o que acaba tornando o filme bem mais leve do que o esperado. O grande mérito do longa e do diretor Andy Muschietti (Mama) é conseguir transitar com perfeição entre as cenas leves e as cenas aterrorizantes, e demonstrar que o verdadeiro terror não está em coisas sobrenaturais e sim nos abusos, abandonos e traumas sofridos pelas crianças.

As cenas de terror são muito bem construídas. A junção de direção, atuação, o apego e identificação que temos com os personagens e a excelente trilha sonora original ajuda a construir uma atmosfera pesada e tensa. A caracterização dos anos 80 foi muito bem colocada, dando ao filme um ar nostálgico. A única falha do filme é não conseguir desenvolver tanto assim certos personagens como Mike Hanlon (Chosen Jacobs), porém, o trabalho de atuação e carisma das crianças faz com que você se importe e torça por eles da mesma maneira.

“It: A Coisa” é um ótimo filme, um dos melhores do ano e um dos melhores filmes de terror da década, com um ótimo elenco de protagonistas e um excelente vilão, que conta uma história de luto, amizade e principalmente amadurecimento, vale cada minuto de seu tempo. Só nos resta esperar que a sequência se iguale.


89%

Por: Rennan Gardini

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

HISTÓRIAS DE NINAR PARA GAROTAS REBELDES


Olá leitores lindos e maravilhosos do meu coração!!! Hoje tem um post que estou querendo fazer a MUITO tempo e agora finalmente coloquei em prática. Não será uma resenha, é mais para enaltecer a publicação de um livro. Em março desse ano foi publicado, aqui no Brasil, o Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes, que tem 100 histórias inspiradoras de mulheres fortes, maravilhosas que lutaram para mostrar o seu trabalho e para serem vistas como pessoa e não apenas como mulheres. Além dessas histórias, todas as mulheres são retratadas por ilustrações de 60 artistas do mundo todo, complementando com perfeição as páginas do livro.




O livro é composto por essas mulheres extraordinárias, que muitas vezes por serem mulheres não tiveram visibilidade ou confiabilidade em seus trabalhos, descobertas e ideias que poderiam mudar o mundo. É incrível como cada história que começa com um “Era uma vez...” pode fazer o mundo refletir, pode fazer, nós leitores, pensarmos em um mundo onde todos são iguais, onde a mulher e o homem tem direitos e deveres iguais, onde a diversidade é a coisa mais linda que teremos, pois com pensamentos iguais o mundo não evolui e a humanidade fica na mesmice.

É isso que o Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes traz, pensamentos diferentes e fundamentais para evoluirmos, mas que foram descartados em algumas épocas por terem sido pensados por mulheres. Hoje infelizmente ainda se tem atitudes assim, onde mulheres são desvalorizadas intelectualmente por serem vistas apenas como “um corpo bonito”.


Agora um desabafo pessoal, eu realmente não consigo entender o porquê disso ainda acontecer no século XXI. Porque mulheres são violentadas, porque os homossexuais são descriminados, transgêneros são vistos de modo diferente, a diversidade é mudança, a diversidade é a evolução. O mundo não pode parar para pessoas que tem o pensamento totalmente ultrapassado, a aceitação tem que ser presente em todas as áreas e meios, se você não gosta, então respeita.

Esse livro é maravilhoso, e não é apenas um livro para se ler e deixar parado na estante. Ele deve ser passado de geração em geração, ser indicado para seus amigos, conhecidos, familiares e principalmente deve ser lido pelos seus filhos, pois nos próximos anos eles que poderão fazer a mudança de verdade, poderão continuar o que muitos buscam nessa década, o respeito a diversidade, o respeito a ideias novas e mudanças, o respeito às mulheres, o respeito à qualquer pessoa.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

T2 TRAINSPOTTING - REVIEW


Senhoras e senhores, a sensação de rever velhos amigos é inigualável, sejam amizades que acabaram bem ou mal, os sentimentos de um reencontro sempre são fortes. Agora digo para vocês.

Assistir T2 Trainspotting é como rever velhos amigos.

Depois de 20 anos do lançamento de sua obra prima, Trainspotting (1996), Danny Boyle retorna para uma sequência e traz todo o elenco original junto.

Após 20 anos longe, Mark Renton (Ewan McGregor) retorna a Edimburgo, o único lugar que pode chamar de lar, para enfrentar os fantasmas do passado, reencontrar o que restou da sua família e de seus amigos, Spud (Ewen Bremner), Simon "Sick Boy" (Jonny Lee Miller) e Francis "Franco" Begbie (Robert Carlyle) após os acontecimentos do final do primeiro filme.


A abordagem da película fica clara desde o princípio. Se o primeiro filme era voltado para como os personagens lidavam com as drogas e a juventude, este é voltado para como eles lidam com a passagem do tempo, a maturidade e os arrependimentos de cada um. Todos os quatro sofreram grandes perdas em consequência das escolhas e atitudes que tomaram no passado, e o filme é inteligente em tratar tudo com naturalidade, sem julgamentos.

É importante ressaltar que todos os quatro atores estão excelentes, mas os destaques são Carlyle e Bremner, o primeiro nos entrega um homem descontrolado e impotente que tenta cuidar da família das maneiras erradas enquanto busca cegamente uma vingança torta; o segundo retrata Spud como um viciado decadente, triste e solitário, que se encontra afastado da família e em conflito com o próprio vício; os dois fazem um excelente trabalho dramaticamente, mas também brilham em cenas cômicas. Enquanto isso, McGregor e Miller fazem performances honestas, mas não tem o mesmo brilho dos colegas.


Quanto à direção, Danny Boyle atualiza o estilo que utilizou no primeiro filme, criando assim pontes entre as duas obras com rimas visuais, além da atualização do famoso discurso "Choose Life", proferido por Renton, que mais uma vez se mostra emocionante e poderoso, nos dando algo para refletir. A fotografia do filme é bem colorida e viva, criando um contraste com as coisas ruins que acontecem em tela. Outra coisa que ajuda nesse contraste é a maneira que Boyle consegue transformar uma cena trágica, como um suicídio, em poesia visual, tornando lindas as coisas horríveis.


Assim como no primeiro filme, a trilha sonora é exemplar, trazendo mais uma vez "Lust for Life", do cantor Iggy Pop como a principal faixa da trilha. Também estão presentes "Radio Ga Ga", do Queen; "Silk", do Wolf Alice e "Dreaming" da Blondie; que tocam em momentos perfeitos, rendendo cenas lindas e ajudando na construção dramática do longa.

É bom destacar o quanto Danny Boyle soube aproveitar as inovações tecnológicas que surgiram desde 1996, isso auxilia tanto na direção, quanto na construção narrativa do filme, um exemplo disso é como o uso do celular é utilizado como um mecanismo de roteiro. A computação gráfica também foi utilizada para a construção de certos momentos da trama.


T2 Trainspotting não é apenas um filme. Se trata de uma experiência emocionante e intensa que te prende desde o início com sua abordagem de temas como perda, suicídio, arrependimento, drogas, violência, amizade e família, e assim como seu antecessor, pode se tornar uma experiência transformadora.

92%


Por: Rennan Gardini