terça-feira, 19 de setembro de 2017

REVIEW: IT - A COISA


Adaptar uma obra aclamada é uma tarefa complicada. Uma adaptação, para ser considerada boa, deve manter a essência do material-fonte e construir uma identidade que converse bem com os fãs da obra original e com o público que não é familiarizado com esta obra.
“It: A Coisa” cumpre todos os seus papéis.
O filme se trata de uma readaptação de uma das obras mais aclamadas do escritor americano Stephen King, que já havia se tornado uma minissérie para a televisão em 1990 sob o título de “It – Uma Obra Prima do Medo”. Posto tudo isso, o novo filme tinha não só a tarefa de adaptar o livro, como também a tarefa de se igualar a seu antecessor. E acabou até mesmo o superando.



A trama nos apresenta a pequena cidade de Derry, localizada no estado americano do Maine, onde várias crianças vem desaparecendo, incluindo o pequeno Georgie Denbrough, irmão de um dos protagonistas. O autor das abduções é Pennywise, O Palhaço Dançarino, uma entidade que se alimenta dos medos das pessoas.

Todo o elenco está muito bem. Bill Skarsgard nos entrega um excelente Pennywise, com a construção voltada para o deixar assustador e carismático na medida certa. Em todas as suas cenas, Skarsgard domina a tela, proporcionando cenas pesadas, viscerais e realmente apavorantes.



Porém, o verdadeiro foco do longa está nas crianças! O Clube dos Perdedores, composto por Bill, Eddie, Ben, Mike, Beverly, Stanley e Richie. A química entre as crianças é absurda e todos cumprem bem seus papéis, dando um ar mais “aventuresco” para o filme. Entretanto, os destaques são Beverly Marsh (Sophia Lillis), que é a responsável por segurar as maiores cargas dramáticas do filme, e Richie Tozier (Finn Wolfhard), que rouba a cena como alivio cômico e se demonstra muito versátil ao alternar entre cenas leves e pesadas.



Aliás, dizer que “It: A Coisa” é apenas um filme de terror seria errado. Na verdade, o foco do filme acaba nem sendo o próprio Pennywise, e sim a construção dos medos e personalidades das sete crianças, o que acaba tornando o filme bem mais leve do que o esperado. O grande mérito do longa e do diretor Andy Muschietti (Mama) é conseguir transitar com perfeição entre as cenas leves e as cenas aterrorizantes, e demonstrar que o verdadeiro terror não está em coisas sobrenaturais e sim nos abusos, abandonos e traumas sofridos pelas crianças.

As cenas de terror são muito bem construídas. A junção de direção, atuação, o apego e identificação que temos com os personagens e a excelente trilha sonora original ajuda a construir uma atmosfera pesada e tensa. A caracterização dos anos 80 foi muito bem colocada, dando ao filme um ar nostálgico. A única falha do filme é não conseguir desenvolver tanto assim certos personagens como Mike Hanlon (Chosen Jacobs), porém, o trabalho de atuação e carisma das crianças faz com que você se importe e torça por eles da mesma maneira.

“It: A Coisa” é um ótimo filme, um dos melhores do ano e um dos melhores filmes de terror da década, com um ótimo elenco de protagonistas e um excelente vilão, que conta uma história de luto, amizade e principalmente amadurecimento, vale cada minuto de seu tempo. Só nos resta esperar que a sequência se iguale.


89%

Por: Rennan Gardini

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

HISTÓRIAS DE NINAR PARA GAROTAS REBELDES


Olá leitores lindos e maravilhosos do meu coração!!! Hoje tem um post que estou querendo fazer a MUITO tempo e agora finalmente coloquei em prática. Não será uma resenha, é mais para enaltecer a publicação de um livro. Em março desse ano foi publicado, aqui no Brasil, o Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes, que tem 100 histórias inspiradoras de mulheres fortes, maravilhosas que lutaram para mostrar o seu trabalho e para serem vistas como pessoa e não apenas como mulheres. Além dessas histórias, todas as mulheres são retratadas por ilustrações de 60 artistas do mundo todo, complementando com perfeição as páginas do livro.




O livro é composto por essas mulheres extraordinárias, que muitas vezes por serem mulheres não tiveram visibilidade ou confiabilidade em seus trabalhos, descobertas e ideias que poderiam mudar o mundo. É incrível como cada história que começa com um “Era uma vez...” pode fazer o mundo refletir, pode fazer, nós leitores, pensarmos em um mundo onde todos são iguais, onde a mulher e o homem tem direitos e deveres iguais, onde a diversidade é a coisa mais linda que teremos, pois com pensamentos iguais o mundo não evolui e a humanidade fica na mesmice.

É isso que o Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes traz, pensamentos diferentes e fundamentais para evoluirmos, mas que foram descartados em algumas épocas por terem sido pensados por mulheres. Hoje infelizmente ainda se tem atitudes assim, onde mulheres são desvalorizadas intelectualmente por serem vistas apenas como “um corpo bonito”.


Agora um desabafo pessoal, eu realmente não consigo entender o porquê disso ainda acontecer no século XXI. Porque mulheres são violentadas, porque os homossexuais são descriminados, transgêneros são vistos de modo diferente, a diversidade é mudança, a diversidade é a evolução. O mundo não pode parar para pessoas que tem o pensamento totalmente ultrapassado, a aceitação tem que ser presente em todas as áreas e meios, se você não gosta, então respeita.

Esse livro é maravilhoso, e não é apenas um livro para se ler e deixar parado na estante. Ele deve ser passado de geração em geração, ser indicado para seus amigos, conhecidos, familiares e principalmente deve ser lido pelos seus filhos, pois nos próximos anos eles que poderão fazer a mudança de verdade, poderão continuar o que muitos buscam nessa década, o respeito a diversidade, o respeito a ideias novas e mudanças, o respeito às mulheres, o respeito à qualquer pessoa.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

T2 TRAINSPOTTING - REVIEW


Senhoras e senhores, a sensação de rever velhos amigos é inigualável, sejam amizades que acabaram bem ou mal, os sentimentos de um reencontro sempre são fortes. Agora digo para vocês.

Assistir T2 Trainspotting é como rever velhos amigos.

Depois de 20 anos do lançamento de sua obra prima, Trainspotting (1996), Danny Boyle retorna para uma sequência e traz todo o elenco original junto.

Após 20 anos longe, Mark Renton (Ewan McGregor) retorna a Edimburgo, o único lugar que pode chamar de lar, para enfrentar os fantasmas do passado, reencontrar o que restou da sua família e de seus amigos, Spud (Ewen Bremner), Simon "Sick Boy" (Jonny Lee Miller) e Francis "Franco" Begbie (Robert Carlyle) após os acontecimentos do final do primeiro filme.


A abordagem da película fica clara desde o princípio. Se o primeiro filme era voltado para como os personagens lidavam com as drogas e a juventude, este é voltado para como eles lidam com a passagem do tempo, a maturidade e os arrependimentos de cada um. Todos os quatro sofreram grandes perdas em consequência das escolhas e atitudes que tomaram no passado, e o filme é inteligente em tratar tudo com naturalidade, sem julgamentos.

É importante ressaltar que todos os quatro atores estão excelentes, mas os destaques são Carlyle e Bremner, o primeiro nos entrega um homem descontrolado e impotente que tenta cuidar da família das maneiras erradas enquanto busca cegamente uma vingança torta; o segundo retrata Spud como um viciado decadente, triste e solitário, que se encontra afastado da família e em conflito com o próprio vício; os dois fazem um excelente trabalho dramaticamente, mas também brilham em cenas cômicas. Enquanto isso, McGregor e Miller fazem performances honestas, mas não tem o mesmo brilho dos colegas.


Quanto à direção, Danny Boyle atualiza o estilo que utilizou no primeiro filme, criando assim pontes entre as duas obras com rimas visuais, além da atualização do famoso discurso "Choose Life", proferido por Renton, que mais uma vez se mostra emocionante e poderoso, nos dando algo para refletir. A fotografia do filme é bem colorida e viva, criando um contraste com as coisas ruins que acontecem em tela. Outra coisa que ajuda nesse contraste é a maneira que Boyle consegue transformar uma cena trágica, como um suicídio, em poesia visual, tornando lindas as coisas horríveis.


Assim como no primeiro filme, a trilha sonora é exemplar, trazendo mais uma vez "Lust for Life", do cantor Iggy Pop como a principal faixa da trilha. Também estão presentes "Radio Ga Ga", do Queen; "Silk", do Wolf Alice e "Dreaming" da Blondie; que tocam em momentos perfeitos, rendendo cenas lindas e ajudando na construção dramática do longa.

É bom destacar o quanto Danny Boyle soube aproveitar as inovações tecnológicas que surgiram desde 1996, isso auxilia tanto na direção, quanto na construção narrativa do filme, um exemplo disso é como o uso do celular é utilizado como um mecanismo de roteiro. A computação gráfica também foi utilizada para a construção de certos momentos da trama.


T2 Trainspotting não é apenas um filme. Se trata de uma experiência emocionante e intensa que te prende desde o início com sua abordagem de temas como perda, suicídio, arrependimento, drogas, violência, amizade e família, e assim como seu antecessor, pode se tornar uma experiência transformadora.

92%


Por: Rennan Gardini

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

RESENHA: É INVERNO

É Inverno

Autora: Cecília Mouta

Editora: Chiado

Páginas: 344

Ano: 2017

Nota: 8/10

Sinopse: Izzy é fascinada pela neve, o inverno é sua estação do ano preferida. Todos os dias, na escola, ela se diverte com seus melhores amigos: Lil, Sam e Mat. Porém, Lil sofre de pesadelos e toda vez que os tem, algo ruim acontece em seguida.
Naquele ano o inverno estava diferente, intenso. E, certo dia, Lil tem um pesadelo que muda completamente a vida dos quatro amigos. Os episódios seguintes levam o leitor a viver momentos emocionantes nas descobertas que Izzy faz sobre a própria vida. Até que chega o momento crucial em que ela tem que fazer uma escolha que poderá colocar um ponto final em toda a sua história até ali, inclusive na amizade com sua melhor amiga Lil.


Olá leitores!!! Como vão as leituras?
Bom, hoje eu tenho uma resenha muito especial para vocês, há mais ou menos um ano eu fiz uma parceria com uma autora linda que foi a Cecilia Mouta, que tinha lançado "O Colecionador de Borboletas" e que fiquei muito feliz em ler, o livro é incrível. Agora, depois desse um ano, ela está lançando seu novo livro sábado, dia 19 de agosto. Eu tive a oportunidade de ler o seu novo livro "Inverno", antes de seu lançamento, e me sinto muito honrada por isso. Obrigada Cecilia por esse presente e por me fazer voltar a infância com essa leitura. Vamos à resenha.

O livro começa com a nossa protagonista com apenas 9 anos de idade. Izzy é uma menina cheia de alegria e sem preocupações, mas muito cativante, já que ela é só uma criança. Ela tem três melhores amigos Lil, Sam e Mat, que são inseparáveis, todos os dias se divertindo e sempre estão pensando no futuro juntos. Lil tem um dom especial, ela tem sonhos, mas não são apenas sonhos, eles realmente acontecem e isso a deixa atormentada quando ela sonha uma tragédia, algo que pode mudar o rumo das vidas das quatro crianças.

Essa primeira parte começa um pouco lenta, como estamos lendo pela narração de uma criança, de Izzy, mas o diferencial é o olhar de criança. A pureza dessa narração, faz o leitor pensar em diversos momentos do livro, já que quando somos crianças não temos filtros, nós falamos o que pensamos e sentimos de verdade. O livro mostra que com o passar de nossos aniversários vamos deixando uma parte de nós para trás, ficamos mais rígidos por dentro, sem coragem ou vergonha de expor o que sentimos, isso é muito claro na leitura e me deixou pensativa.


[CONTEM SPOILER, mas não muito] Após a tragédia que acomete Sam tudo muda, a vida dos seus três amigos vira de cabeça para baixo. É aí que vamos para a segunda parte do livro, Izzy vai completar seu tão esperado décimo oitavo aniversário, está se formando na escola e é muito popular junto com sua amiga Lil. Tudo parece perfeito naquele ano até que coisas do passado voltam para assombrá-la, não apenas Sam, mas ela mesma. Algo aconteceu com ela no passado que em sua cabeça é apenas escuridão e tristeza.

 O livro é muito bom, é aquele tipo de leitura que te faz pensar, que tem uma mensagem a deixar. Mostra como tudo pode mudar, como a vida é uma caixinha de surpresas e que não podemos prever nada. Ele mostra também como as pessoas mudam e como é importante está presente se alguém precisar. O livro foi uma experiência muito boa, é nítido o crescimento da escrita da Cecília desde "O Colecionador de Borboletas" e ela já tem um completo domínio do envolvimento de passado com o futuro e com o presente.

O final me surpreendeu totalmente, jamais imaginaria que aquilo aconteceria e que tudo mudaria novamente. Eu indico MUITO o livro, além dele ser nacional, temos que valorizar o que é nosso, o livro é uma ótima experiência de volta ao passado.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

WAR FOR THE PLANET OF THE APES - REVIEW


Opa, Tudo Bom? Rennan Gardini. Passando para avisar que a partir de agora darei as notas dos filmes em porcentagem. Agora vamos à resenha.
Em 1968 chegava aos cinemas um marco na história da ficção científica. O Planeta dos Macacos, baseado no romance homônimo de Pierre Boulle, trazia o astro Charlton Heston no papel principal e impressionou o mundo com o famoso Plot Twist da cena da Estátua da Liberdade na praia, que se tornou senso comum.

Após sequências que só pareciam piorar e um remake em 2001 que é melhor ser esquecido, parecia não haver mais esperanças de recuperação para a franquia clássica. Até que em 2011 tivemos uma grata surpresa chamada "Planeta dos Macacos: A Origem", que nos mostrou como os símios se tornaram inteligentes e iniciaram a dominação mundial. E quando pensamos que não podia melhorar, a sequência subtitulada O Confronto, lançada em 2014, conseguiu superar as expectativas e mesmo o seu predecessor. Parecia não haver maneiras de um terceiro filme emplacar um sucesso maior, certo?

Errado!!!

"Planeta dos Macacos: A Guerra" nos traz como protagonista Andy Serkis (Senhor dos Anéis) pela terceira vez como o líder dos símios, o chimpanzé César, a excelente direção de Matt Reeves, e Woody Harrelson (Assassinos por Natureza) como o Coronel McCullough, o antagonista do longa.
Após anos de luta, os macacos se escondem em uma base na floresta e tentam viver as suas vidas mesmo com constantes ataques dos humanos. Mas depois de acontecimentos inesperados, os símios se vêem forçados a buscar um novo lar e a sonhada paz, enquanto César abandona seu posto de líder para partir em uma missão pessoal.


O longa é menos frenético que seu antecessor em termos de ação, utilizando deste ritmo mais lento para desenvolver brilhantemente os personagens. César (Serkis), agora mais velho e cansado, continua tentando dar paz a seu povo, mas encontra dificuldades ao ter de lidar com conflitos internos provenientes do filme anterior. Já o Coronel McCullough (Harrelson) ajuda a traçar paralelos da trama com a realidade, nos mostrando um líder militar que quer separar e proteger seu povo dos inimigos com a construção de um muro. Semelhanças?
Harrelson constrói um vilão intimidador, perverso e até mesmo "louco", enquanto Serkis, mais uma vez mostra que César se faz um protagonista muito mais forte e interessante do que muitos personagens humanos que vemos por aí.


Quanto à direção, Reeves aplica técnicas de gigantes do cinema em sua película, sempre adaptando à sua própria identidade. Vemos planos e enquadramentos inspirados em Stanley Kubrick, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, além da construção das cenas de suspense ser visivelmente inspirada por Alfred Hitchcock. A direção e o roteiro de Mark Bomback ilustram de forma excepcional o quanto este filme é mais maduro e profundo que os seus antecessores.

"Planeta dos Macacos: A Guerra" nos entrega não apenas um excelente filme, como uma ponte para o clássico de 1968. Emociona, empolga e fecha com chave de ouro a trilogia. Este, assim como os outros dois, merece ser visto.


95%